O vinho sempre esteve no centro desse conceito — mais do que uma bebida, ele carrega simbolismos de abundância, intimidade, celebração e potencial criativo. Essa organicidade também guiou a concepção da cenografia do show, que traduz esse imaginário em um espaço que remete a um templo contemporâneo, onde o luxo e o clássico dialogam com referências visuais da arquitetura, musicalidade e arte brasileira, periférica e favelada, afirma Carol Agyar.
As cores e texturas do vinho — desde os tons profundos da bebida até as representações centenárias de seus processos e consumo — inspiram a composição do cenário. Os tapetes, mobiliários e iluminação transitam entre o vintage e o moderno, criando um equilíbrio entre tradição e contemporaneidade. Já os fundos texturizados, como tijolos aparentes e superfícies em construção, evocam um ambiente bruto e autêntico, que protege toda a realeza desse universo.
A arte brasileira também é um pilar essencial desse espaço. Se nas representações mitológicas de Dionísio e do vinho vemos constantemente obras que retratam corpos e realidades europeias, aqui, ressignificamos essa visão. Para nós, obra de arte tem outra referência. As criações de Mulambô, Hebert Amorim, Edu Ribeiro, Albarte e Sofia Rocha foram incorporadas à cenografia do álbum, reafirmando a identidade visual que permeia o projeto desde sua concepção. Essas obras carregam a grandeza e a voz dos nossos, expressando a força criativa e, ao mesmo tempo, as denúncias e mensagens que só a arte é capaz de catalisar.